RECORDAÇÃO DOS FIÉIS DEFUNTOS

O mês de novembro é marcado pela recordação dos fiéis defuntos. No dia 02, celebramos o Dia de Finados, que nos coloca diante do mistério da morte. Este dia foi instituído por Santo Odilon, Abade de Cluny, na França, para exortar os monges a orarem de maneira particular pelos mortos. Rezando pelos mortos a Igreja contempla, antes de tudo, o mistério da Ressurreição de Cristo que nos alcança a vida eterna. Recordamos os que nos antecederam e que vivem na Casa do Pai. Uma oportunidade de preces, a exemplo da Igreja primitiva, que rezava pelos irmãos falecidos, martirizados ou não.

 

A ressurreição de Cristo venceu definitivamente a morte. Para São Paulo, “pelo batismo nós somos sepultados com Ele, na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim também vivamos vida nova” (Rm 6,4). Por isso é que nós chamamos o dia da morte como o “verdadeiro dia do nascimento”, pois é o dia que nascemos para a vida eterna. Como rezamos: “Senhor, para os que creem em Vós a vida não é tirada, mas transformada. E, desfeito nosso corpo mortal, nos é dado, no céu, um corpo imperecível” (cf. Pref. Mortos I). Essa doutrina nos traz um grande conforto e gera uma paz interior, quando se tornam agudas as saudades dos que já partiram. A eficácia dessa verdade se verifica no canto de São Francisco de Assis: “Louvado sejais, meu Senhor, por nossa irmã morte”.

No Dia de Finados, nas celebrações nos Cemitérios e nas Igrejas, refletimos sobre o sentido de nossa vida e os valores para os quais vivemos. Viemos a este mundo e um dia sairemos dele. Nesse tempo que nos foi dado, o que foi que construímos? A vida que começa tem um fim! Para nós cristãos, a morte, embora ponha fim à nossa existência neste mundo, é o início da vida sem fim, quando estaremos em Deus face a face. 

 

Sentimo-nos, pois, unidos aos que já partiram e necessitam de nossa oração. Pela fé sabemos que nosso corpo, embora desintegrado, ressuscitará. A morte e ressurreição é um mistério de fé, que rezamos no Credo: “Creio na ressurreição da carne, na vida eterna”.  São Paulo diz palavras confortadoras sobre a ressurreição dos mortos: “Não queremos, irmãos, que ignoreis coisa alguma a respeito dos mortos, para que não vos entristeçais como os outros homens que não têm esperança. Se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim precisamos crer também que Deus levará, por Jesus e com Jesus, os que morreram. Consolai-vos, portanto, uns aos outros com estas palavras” (cf. 1Ts 4,13-15.18).

 

Assim, sustentados pela fé na vida eterna e na ressurreição dos mortos, recordamos os nossos entes queridos que já partiram para a vida eterna.  No Dia de Finados, muitos vão aos cemitérios, às capelinhas e às cruzes ao lado das estradas para rezar pelos seus falecidos. As orações, as velas, as flores, as celebrações são gestos afirmativos de que cremos que a morte não é o fim, e que nossos entes queridos hoje vivem, estão em Deus e um dia ressuscitarão. “A vida dos justos está nas mãos de Deus” (Sb 3,1).

 

No dia de finados, nas celebrações nos cemitérios e nas Igrejas, além de rezarmos pelos nossos falecidos, anunciemos às pessoas a nossa fé, aquela fé que acredita na vida que não termina com a morte e que nos convida a aproveitar o tempo que temos para viver bem como bons cristãos. Invoquemos para os fiéis defuntos a intercessão de Maria Santíssima, a fim de participarem no banquete eterno que, com fé e amor, experimentaram durante a peregrinação terrena.

Dom Francisco de Assis Dantas de Lucena

Bispo de Nazaré - PE

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