Celebrar a Divina Misericórdia

“Quem me tem visto, tem visto o Pai” (cf. Jo 14,9). Com essas palavras, o próprio Jesus dirige-se a Filipe, que lhe faz um pedido em nome da comunidade: “Senhor, mostra-nos o Pai e isso nos basta” (cf. Jo 14,8).

 

Celebrar a solenidade da Páscoa do Senhor é renovar a experiência transformadora com seu amor, que se estende de geração em geração e alcança todo o gênero humano, toda a Criação e nos faz participar do ser mesmo de Deus, que é amor (cf. 1Jo 4,8). A gratuidade do amor de Deus, que se manifesta sem reservas e livremente aos homens e mulheres, sem esperar ser amado para poder amar, atinge a todos como um remédio curativo que cicatriza as feridas da pessoa humana, tornando-a livre, também, para amar.

Essa é realidade da misericórdia divina, que se abaixa até à pequenez humana, a fim de resgatá-la, transformando todos os sinais de morte em realidade de vida nova manifestada no grande dom de si, como a pessoa do Filho fez em sua páscoa. Páscoa, aqui, não aponta apenas à realidade da ressurreição (após o fato mesmo de sua morte), pois toda a vida do Cristo foi uma páscoa, foi ressurreição, libertação, salvação; manifestação da vitória da vida sobre a morte.

Celebrar o segundo domingo da páscoa, ou Domingo da Divina Misericórdia, é reconhecer, acima de tudo, que o amor de Deus não é pura e simplesmente um ‘sentimento’ dispensado em relação à humanidade. É saber que o amor divino é ‘misericórdia’, é algo bem concreto, atuante, operante, prático, capaz de fazer morrer a morte e gerar a vida. A misericórdia faz com que Deus mesmo desça e venha libertar seu povo, não permanecendo indiferente, inoperante, imóvel, apático às suas angústias, frustrações e escravidões (cf. Ex 3,7).

Jesus Cristo, o crucificado-ressuscitado, rosto da misericórdia do Pai, como nos lembrou o Papa Francisco na bula de proclamação do Jubileu extraordinário da misericórdia, em 11 de Abril de 2015, aponta-nos, com sua vida, o que é ‘ser misericórdia’ (Mt 25, 35-45). É fazer-se próximo, deixar mover as entranhas, tornar-se cuidador, amigo, irmão, solidário. É abaixar-se e fazer-se miséria com o outro, para colocá-lo no coração e deixar com que o sangue novo purifique aquilo que ali foi posto.

Celebremos o amor de Deus neste domingo e aprendamos a permanecer com Jesus, a fim de também sermos misericordiosos com e como o Pai. Todo aquele que ressuscitou verdadeiramente ‘faz-se misericórdia!

                                                   

 

                                          Por Pe. José Cleiton Barbosa

                                          (Vigário paroquial - Paróquia de Nossa Senhora do Desterro, em Itambé-PE)

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